3.5.12

De encher o coração

Essa semana teve dois momentos muito especiais: pude voltar à Casa Lar Luz do Caminho, nos Ingleses, onde estão dez crianças de zero a três anos e tive a oportunidade de conhecer alguns dos projetos organizados pelo padre Vilson Groh. Conhecer pessoas que se doam pelo bem de outras, que multiplicam recursos escassos pra fazer diferença nas vidas de muita gente, emociona e renova as esperanças. A “Luz do Caminho” começou há menos tempo, mas não com pouco sacrifício a casa acolhe os pequeninos encaminhados pelo conselho tutelar e ministério público. Um dos bebês que estão lá agora tem cinco dias de vida. Quem cuida de um bebê pode imaginar multiplicar por dez, literalmente, o trabalho de cuidado, alimentação, troca de fraldas. Eles fazem tudo isso sem nenhum recurso público, e mantém as crianças e o ambiente impecáveis. Já o trabalho do Padre Vilson tem três décadas, e fez por essa cidade algo que poucos podem imaginar. Desde a creche até o trabalho de proteção à testemunha, os projetos sociais atendem por volta de cinco mil pessoas. Pude conhecer de perto o CEDEP, a ACAM e o Centro Cultural Escrava Anastácia, e fiquei maravilhada com a doação das pessoas que trabalham nesses lugares. Daria um filme, um livro. Mas, por ora, rendeu esse singelo post e uma vontade imensa de colocar uns tijollinhos na construção desse mundo melhor.

22.3.12

Explosão de sensacionalismo

Nessa última quarta-feira, dia 21, um dos cabos da fiação subterrânea de energia elétrica, no centro de Florianópolis, entrou em curto-circuito por conta de sobrecarga. O calor na galeria fez trepidar as tampas, e a fumaça ficou aparente na superfície, e foi possível ouvir o som dos estouros. Um incidente que chamou a atenção de quem passava, e que obrigou técnicos da empresa de energia a desligar 109 unidades consumidoras por algumas horas para o conserto (o sistema atende 2,3 milhões de unidades). Quem viu se assustou, e certamente relatou o incidente quando chegou em casa.
Até aí, uma ocorrência no sistema elétrico, ocorrida no mesmo dia em que um vendaval lançou um outdoor sobre a rede e deixou quase 50 mil consumidores sem energia na cidade vizinha de São José, e exigiu bem mais esforço dos eletricistas, principalmente no que tange à mobilidade – está cada vez mais difícil vencer o trânsito para atender às ocorrências.
Acontece, porém, que alguns setores da nossa imprensa não se conformaram em ver somente a fumaça, queriam ver fogo. Assim que soube do ocorrido, entrei em contato com o gerente da regional e com o colega que nos apóia na comunicação local. Tudo explicado, comecei a atender os diversos pedidos de esclarecimento, deixando claro que não se tratavam de explosões como as acontecidas no Rio de Janeiro, onde o cabeamento da energia corre junto com a tubulação de gás – situação que não ocorre em Santa Catarina.
Pouco tempo depois começam a pipocar as “matérias” sobre as “explosões”, cheinhas de adjetivos. Fumaça virou fumaça negra. Pessoas assustadas “corriam e gritavam”. Rapidinho chegou o primeiro telefonema de um portal nacional. Pacientemente, liguei pra alguns, expliquei a diferença, tentando evitar a reprodução dos erros nos veículos impressos do dia seguinte. Em vão.
Depois de dar umas dez entrevistas, algumas às dez da noite, outras às sete da manhã, outras ao vivo com problema de link, o gerente regional já estava exausto. Eis que aparece uma nova ligação: “aconteceu de novo, um colega viu mais um bueiro explodir, agora no Sambaqui”. Não é bueiro, é galeria subterrânea. Não, não temos cabeamento subterrâneo no Sambaqui. Não, não estamos omitindo nada nem minimizando a situação.
Pensa que adiantou? “Mais um bueiro explode em Floripa. Agora no Sambaqui”. Comentários raivosos amplificam o absurdo.
É, realmente acho que fizeram certo em questionar a validade do diploma de jornalismo. Muita gente que tem, joga o seu no bueiro. Quer saber mais? Fiz a minha parte. Que se exploda.


(luminária criada pelo designer alemão Ingo Maurer)

29.2.12

Minhas férias

Na verdade não sei se dá pra oficializar como férias uma semana “espichando” o carnaval. O fato é que eu tava precisando mooento desses dias longe da rotina pra arejar os pensamentos. Consegui desligar bastante de email e celular e me policiei pra não me envolver muito com assuntos do trabalho. Talvez por fazer quase um ano e meio que eu na parava, achei que esses dias renderam um monte!

Viajei pra passar o carnaval no Rio, ri bastante com amigos, tomei uns pilequinhos e esqueci das horas. Aqui aproveitei praia, cinema, coloquei algumas leituras em dia, arrumei gavetas, fui ao médico, dormi bastante e até renovei o enxoval de cama, mesa e banho. Incrível como um dia inteiro livre rende!

Hoje, pra fechar com chave de ouro, peguei uma prainha clássica, vazia. Tirei um belo cochilo depois do almoço no ar condicionado e ri sozinha assistindo comédia dublada na sessão da tarde; o ápice do “dolce far niente”.

Foi muito bom... Mas agora chega. Fé em Deus e pé na tábua até setembro, quando tiro as três semanas que faltam.

Valeu!

Lucidez

Foi o adjetivo que elegi pra externar minha opinião sobre a obra da Maria da Graça Dutra, o livro “O cavalo do padeiro”, no qual ela conta a própria trajetória na defesa de um ideal. A causa abraçada por ela, a de defender e ajudar os animais, não é das mais gratas, principalmente na capital da farra do boi, mas os inúmeros obstáculos só fortaleceram seu propósito de trazer um pouco de luz sobre esse assunto que é de todos nós, queiramos ou não.

O Gu e eu tivemos a oportunidade de trabalhar um pouco pela causa nos idos de 2005 e, por meio do conhecimento da Graça, conseguimos sair da ignorância em relação ao tema. Para sempre seremos defensores dos animais e de todo e qualquer ser que precisar e puder contar com a nossa ajuda.

Mas, voltando ao livro, falo em lucidez porque, ainda hoje, muita gente classifica os protetores de animais como “a velha dos gatos” ou a “louca dos cachorros”, mas é preciso bastante esclarecimento para enxergar e entender a questão. E isso a Graça tem de sobra. Tanto é que hoje temos em Florianópolis uma estrutura profissionalizada e institucionalizada na prefeitura para atendimento aos animais e seus donos. Somos modelo nacional.

A leitura de “O cavalo do padeiro” mostra que o X da questão é a ignorância, a falta de informação que impera entre os racionais. Além de tudo, é muito bem escrito, bem contextualizado, emocionante e conta com a ironia fina dessa grande mulher.

Recomendo com louvor e deixo meu exemplar à disposição pra quem quiser emprestado.



O Cavalo do Padeiro
de Maria da Graça Dutra
(PalavraCom Editora)
Prefácio de Mario Pereira
208 páginas

1.1.12

E a vida o que é? Diga lá, mermão!

Chegou o ano novo! Que bom! Mais uma dúzia de meses pra gente tentar fazer coisas melhores, de jeitos melhores.
Embora - e cada vez mais tenho consciência disso - não adiante a gente planejar muito, não. A vida é danada, não segue roteiro nem calendário.

Rèveillon, por exemplo: quem achou que ia ser esse dilúvio em Floripa? Eu passei a virada só com a minha mãe, numa casinha alugada lá no sul da Ilha. Imagina quem se planejou o ano todo, viajou pra cá, comprou saltão meia pata, fez chapinha? E quem viajou do interior pra vir aqui pular sete ondas? A vida decide, a gente só se adapta.
Hoje, por exemplo, primeiro dia do ano. Meu plano era almoçar e dormir, pra recomeçar firme amanhã no batente. Mas calhou de faltar luz logo ontem à noite, logo na praia mais badalada, logo na casa do colunista mais pop, logo na hora da virada. A culpa não é minha, mas fiquei das 14h às 18h na função de apurar o caso, e liga pra um, liga pra outro. Fazer o que?
Pelo menos serviu de pretexto pra eu voltar a escrever no blog. Agora, SE eu vou conseguir manter a atualização em 2012, nem vou prometer. Deixa a vida me levar!

Mas uma receitinha pro ano novo eu bolei:
2012 5S
Saúde
Suce$$o
Sorte
Sexo e
Sossego

#ficaadica

Beijos e muito amor no coração!

15.10.11

Confissões de uma workaholic

O ano se encaminha pros finalmentes e estou começando a admitir que me passei um pouco em termos profissionais. Pra perseguir os resultados do jeito que eu queria, consegui coisas bem legais sim, mas também tendinite e insônia crônicas. Essa semana, quatro noites muito mal dormidas. Tenho aulas de pilates pagas até 2050, meu compromisso é ir uma vez por semana, mesmo assim não consigo.
Por mais que eu me esforce, nunca acho que tá bom. Olho em volta e não vejo mais ninguém assim. PRECISO mudar. Só não sei como...

21.8.11

Quando eu voltar pra privada

A faculdade de jornalismo foi a porta que se abriu pra que eu começasse a conhecer sobre comunicação. Logo no início, desanimada com os salários e horários das redações, me aventurei pela comunicação visual, mas não era minha praia. Gosto é de letrinhas. Trabalhei com clipagem, com os famosos "jornaizinhos" de empresa, fui até empresária do ramo! Tive meu próprio jornal por uma ano e meio: O Peixe Fresco, jornal do Mercado Público Municipal. Me formei em jornalismo. E só. Tanto que resisti bastante até aceitar o primeiro trabalho de assessoria de imprensa. Na minha época de recém-formada, jornalista que ia trabalhar em assessoria era como advogado que ia atuar em porta de cadeia. Como todo preconceito, burro.

Nas assessorias comecei a ver mesmo como funcionam os jornais. E em alguns casos é uma coisa tipo salsicha, melhor nem saber como se faz. Depois de seis anos assessorando empresas privadas, aprendi bastante coisa. Uma delas foi que comunicação e jornalismo não são a mesma coisa. Jornalismo é UMA forma de comunicação, mas definitivamente é pouco pra quem precisa trabalhar no mundo real. Até a minha época, pelo menos, éramos formados pra ser empregados ou prestadores de serviço. Empreendedores, nem pensar. Mas isso é assunto pra um blog inteiro...

Foi então que o destino e um telefonema do meu amigo Chico Sander me conduziram ao setor público. Selecionada numa entrevista, comecei a trabalhar numa secretaria de Estado, no caso, de Planejamento. Não tinha notícia pra mandar todo dia pra imprensa, mas eu era obrigada a cumprir meu expediente. Que tal então um jornal pros funcionários? Funcionou super bem. Tanto que levei a prática depois pra secretaria de Agricultura - lá o bicho literalmente começou a pegar - e depois pra Fazenda.

Foram cinco anos ralando bastante pra tentar desmistificar aquelas inverdades de que serviço público não presta e funcionário público não faz nada. É como em todo lugar, tem os bons e os ruins. E se trabalha pra caramba! A Fazenda, por exemplo, me dava bem mais trabalho que os oito clientes que cheguei a atender simultaneamente na iniciativa privada. A demanda da imprensa é enorme, e o assessor tem que mostrar serviço em dobro pra provar que as coisas funcionam. E tem os servidores, que quando começam a conhecer as possibilidades de canais de comunicação, querem mais e mais.

No começo desse ano, após cinco anos no Governo, fui convidada pra ir trabalhar na Celesc. Confesso que achei que seria mais leve que a Fazenda. Ledo engano. Ali eu tenho que coordenar uma equipe , prestar conta pra quase quatro mil empregados, planejar, decidir, executar - e o mais difícil: planejar. Tudo aquilo que a gente não aprendeu no curso de jornalismo: administração, gerenciamento, marketing, comunicação interna, relações com a imprensa e com os diversos públicos que interagem com a organização. Fazer jornal é só uma pequena parte do todo. O desafio tem absorvido a maior parte da minha energia - principalmente porque está coincidindo com o término da pós graduação que comecei ano passado, em gestão da comunicação pública e empresarial. Mas é um aprendizado que não tem preço. Depois de conviver de perto com o funcionamento do sistema tributário do Estado, agora estou vendo por dentro como funciona uma grande estatal, com interesses público, privados, sociais.

Minha prioridade tá sendo aproveitar bem essa escola, por isso os longos abandonos ao blog. Mas é um aprendizado que não tem preço e vai deixar bastante saudade se um dia eu voltar pra privada : )

Aliás, minha tese defende a valorização da comunicação interna. Não adianta investir rios de dinheiro em publicidade se os teus funcionários só espalham desinformação.

Bom, escrevi tudo isso porque ontem, no twitter, meu colega Magoo tava indignado porque um professor dele disse que jornalismo e comunicação não eram a mesma coisa. Captou, @Alebonassoli?

3.8.11

Que bom, né, gente?

Essa frase do título é uma piadinha interna da viagem do ano passado, que a gente fez num grupo de amigos pra Europa (como é bom poder dizer isso!). Mas virou bordão cada vez que tô me sentindo bem.
Ontem eu estava um trapo humano, pós insônia, dor nas costas, velha coroca. Hoje depois do trabalho e depois do pilates me dei de presente uma sessão de osteopatia - nunca tinha feito. Foi um festival de crecs, mas o bem estar depois...
Depois uma sopinha, internet e agora um pedacinho do Chegadas e Partidas, do GNT, que eu adoro. Inclusive no bloco anterior tocou uma musiquinha tão bonitinha... Segue a letra, pra embalar a noite de sono que me espera:

Grão de Amor
Tribalistas
Me deixe sim, mas só se for
Pra ir ali e pra voltar
Me deixe sim, meu grão de amor
Mas nunca deixe de me amar
Agora as noites são tão longas
No escuro, eu penso em te encontrar
Me deixe só até a hora de voltar
Me esqueça sim. pra não sofrer
Pra não chorar, pra não sentir
Me esqueça sim, que eu quero ver
Você tentar sem conseguir
A cama agora está tão fria,
Ainda sinto seu calor
Me esqueça sim
Mas nunca esqueça o meu amor
É só você, que vem no meu cantar, meu bem
E só pensar que vem, lara ra ra
Me cobre mil telefonemas
Depois me cubra de paixão ..
Me pegue bem
Misture alma e coração.

BOA NOITE!